terça-feira, 30 de outubro de 2012

Considerações à volta de uma fotografia Desabafos de um homem só

Fotografia de António Vieira da Silva (Edições Vieira da Silva)
Já por diversas vezes, ao olhar esta fotografia, me vêm à mente diversos episódios da minha vida, desde que me lembre que sou um ser pensante.
A fotografia é do fotógrafo António Vieira da Silva, que para além de editor de livros (é o editor do meu livro "PRIORIDADE À...FOTOGRAFIA"), é também um excelente fotógrafo, e mais concretamente um retratista, pois pelo que conheço dos seus retratos, e já retratou gente bem famosa da nossa praça, estes não reproduzem só a parte física do retratado, mas também a sua alma.
E sinceramente ao olhar este meu retrato, o meu espírito voa e como se rebobinasse a minha vida, tal como se fosse uma cassete, faço um percurso por ela.
Sou filho de pessoas do campo, pobres, nascido numa aldeia do concelho da Mealhada, e como qualquer criança da minha aldeia e da minha geração, estava destinado que quando acabasse a 4ª classe, me dedicasse ao trabalho do campo, tal como já tinha acontecido com os meus pais, avós, bisavós e por aí fora.
Ao terminar a instrução primária, assim sendo, fui "trabalhar", por acaso nem era trabalho, fui passar algum tempo a dar o que podia fazer no Registo Civil da Mealhada. Por sorte ou por azar, a Senhora Conservadora da altura, entendeu que eu estava a ser "mal aproveitado" e convenceu o meu pai que trabalhava na sua casa, a por-me a estudar, o que aconteceu, indo então fazer a admissão ao liceu e escola industrial. É lógico que como bom aluno que era ultrapassei esses exames...
Por diversas circunstâncias o meu pai foi para Angola e passado uns meses lá fui eu com minha mãe, juntar-me a ele, continuando os meus estudos na Caála (Vila Robert Williams) e posteriormente no Liceu Nacional Norton de Matos de Nova Lisboa, hoje Huambo.
Com o falecimento do meu pai, os meus estudos foram interrompidos após conclusão do antigo 6º ano do liceu, posteriormente 1º ano do curso complementar, e que hoje corresponderá ao 10º ano.
E fui trabalhar. Primeiro como professor numa escola primária e posteriormente no Hospital Central de Nova Lisboa, como funcionário administrativo.
Como todos os adolescentes da minha geração vivi as transformações das mentalidades, que os anos 60 e 70 trouxeram. Tive as minhas namoradinhas, as minhas aventuras, e o meu primeiro namoro a sério que acabou em casamento aos 19 anos e a ser pai aos 20. Que juventude tive eu? Nada...
E hoje no rol das minhas relações amorosas, tenho 3 casamentos, algumas namoradas, umas "amantes" pelo meio e quatro filhos e três netos.
Ao longo da minha vida fiz de tudo: fui funcionário público, como já referi, actividade que iniciei em Angola e se prolongou em Portugal, primeiro no Instituto de Contabilidade e Administração de Coimbra e posteriormente no Hospital Distrital de Leiria. Com a passagem à licença sem vencimento em 1990 e depois aposentação, fiz de tudo um pouco. Fui designer gráfico, editor e director de publicações, redactor de um jornal e repórter desportivo, fui radialista e entrevistador, fui entrevistado, fui pintor de telas, artesanato e tecido, fui tratador de galinhas e galos num aviário, fui operário numa fábrica de plásticos, fui empresário na área das artes gráficas e publicidade, fui fotógrafo e compositor, fui hisdtoriador e escritor, fui comerciante e não fui nada...
Vivi grandes momentos de desafogo económico e grandes problemas financeiros.
Tive "amigos" sempre presentes para me pedirem ajuda e que "fugiram a sete pés" quando eu precisei deles, tive pessoas que não me conheciam e que mesmo assim ao saberem das minhas dificuldades vieram de longe para me darem a sua palavra de apoio e material.
Conheci amigos na fotografia, aliás tenho à volta de 1200 amigos no facebook, amigos esses que possivelmente se eu precisasse de novo me removeriam das suas amizades, como acontece diariamente ou que só são amigos para se aproveitarem de alguma coisa, e há os amigos que são amigos desde que nos mantemos no nosso canto e eles no deles, que convivem e riem connosco, mas que acham que a sua vida tem sempre mais problemas que os dos outros... É assim a vida!
Tive problemas de saúde graves e por eles deixei vícios (tabaco) para retomar outros interesses do passado como a fotografia que hoje representa talvez a minha grande força para viver.
Estudei, acabando o 12º ano, fiz cursos de diversa área, deste Higiene e Segurança ao de Formador, e de Web Designer. Deixei outros pelo caminho, como é a Licenciatura e o Curso de Nutrição e Dietética Aplicada. Escrevi livros, e larguei a meio outros. Fui prosador, poeta e cronista...
E hoje quando acordei e olhei de novo esta fotografia, pensei, afinal tanta coisa e sinto-me só, bastante só... apesar de estar acompanhado pela esposa, pelos amigos, pelos conhecidos!
Mas estou só no meio deles, e triste, porque o tempo começa a escassear, os projectos são muitos e talvez fiquem pelo caminho, a saúde começa a dar os seus sinais de que mais dia menos dia se vai embora, a diabetes lá me vai lembrando através dos seus sinais, que faz parte de mim e que não posso por a foice em seara alheia.
E tudo isto me veio à cabeça por olhar esta fotografia...
Estes são os desabafos de um homem só!

1 comentário:

mauricio luiz disse...

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